OYO ROOMS, O OUTRO LADO DA MOEDA

OYO ROOMS, O OUTRO LADO DA MOEDA
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Qui

‘Uma bolha que explodirá’, foi a frase de Saurabh Mukhopadhyay, para descrever sua ex empresa Oyo Rooms, onde trabalhou como gerente de operações no norte da Índia até Setembro/19.

“Esta é a única empresa que se tornou global nessa escala na Índia. Mas, a partir de agora, existem sérias dúvidas sobre o modelo de negócios.” Satish Meena, analista sênior da empresa de pesquisa Forrester em Nova Délhi, sobre a Oyo.

Entre frases bombásticas como essa, e o silêncio do SoftBank (seu principal investidor), que não quer comentar o assunto, vale a pena analisar um pouco mais a fundo as últimas notícias da empresa que quer se tornar a maior empresa de hospitalidade do mundo até 2023. A startup unicórnio (recebe investimento de mais de USD 1 Bi), que está mais para Drogon (o dragão de Game of Thrones) está dando o que falar.

O Brasil ainda vive um caso de amor

Com a empresa, que chegou investindo e soltando dinheiro aos seus franquiados. Lemos notícias positivas, e uma frenética adesão do ramo hoteleiro se convertendo a marca. Entretanto, não passa uma semana sem que eu receba várias mensagens pelas redes sociais com pessoas perguntando se vale a pena trabalhar na OYO e/ou hoteleiros questionando se assinam o contrato com a marca. Ou seja, ainda existe muita falta de informação sobre o modelo de negócios e pouca referência.

 

Pensando nisso vamos esclarecer e ajudar a voces a tomarem essa decisão, Oyo Rooms vale a pena?

Veja um dos ‘approachs’ da marca abaixo. Só não fique se sentindo assim tão especial. ‘Estamos selecionando algum hotel em sua cidade’ na verdade significa ‘vamos converter todo mundo que aceitar nossas condições‘:

 

 

Primeiro vale lembrar que a SoftBank, mesma investidora da WeWork, possui 46% da OYO. Como característica, ela investe fortunas, mas também cobra resultados rápidos e gigantes. Com base nisso, a grande pergunta as suas ‘apadrinhadas’ é: VOCÊ VAI CRESCER RÁPIDO OU VAI CRESCER CERTO? Imagino que você já saiba a resposta…e suas consequências.

Exemplo: WeWork demitiu 15.000 pessoas (13% da força de trabalho), parou seu IPO para compensar perda de 1,9 Bi, e demitiu seu CEO no final de 2019. Depois do fiasco do IPO fracassado, o plano de recuperação do novo CEO prevê corte de até 25% dos seus funcionários, pedido de empréstimos, e outras ações drásticas para retomar o interesse dos investidores. E adicione a isso a frase do novo gestor: ‘O que nos falta é foco e responsabilidade ‘!

Morgan Stanley diz que o IPO fracassado da WeWork marca o fim de uma era para unicórnios não rentáveis.

Deu para entender com a ‘banda toca’ no mundo das startups de crescimento rápido, certo? Então vamos a nossa amiga OYO.

É compreensível um hoteleiro de hotel super econômico ficar tentado ao ‘pacotão’ OYO de dinheiro na mão e resultado rápido. Que outra marca hoteleira oferece isso?

  • Pagam até 18% de juros caso o proprietário atrase o arrendamento.
  • Negocia com bancos.
  • Oferece o app OYO para os GGs acompanharem operação e sugestão de melhoria de desempenho.
  • Compromisso de performance garantida.
  • Adianta $$ para o hoteleiro endividado.
  • Afirma que tem retenção de 99,5% de seus clientes na Índia.
  • Garante que seus hotéis aumentaram 3 vezes a ocupação e 2,5 vezes o RevPar.

 

Saurabh Mukhopadhyay, ex gerente Oyo no norte da Índia. Fonte: New York Times

 

Na Índia, as principais reclamações de proprietários, e reforçados por associações/federações hoteleiras e comissões de competitividade, são:

  • Milhares de quartos são de hotéis e pousadas não licenciados.
  • Imposição de taxas extras – Argumento Oyo: ‘desacordo é sobre as multas que cobramos pela falha no atendimento ao cliente’.
  • Problemas Operacionais – Importante lembrar: seguem sendo hotéis 2 estrelas e/ou super econômicos.
  • Retenção de taxas
  • Comissões excessivas
  • Denúncias de quartos usados para prostituição.
  • Preços predatórios, com descontos beirando ao ‘dumping’ de mercado.
  • Equipe não é hoteleira e muitos sem nenhuma experiência – Argumento Oyo: ‘Nossa equipe tem menos de 1 ano na empresa e treinamento tem sido um desafio.’

 

Curiosidade: um hoteleiro indiano fez o representante da OYO de refém na Índia alegando que só o soltaria quando a empresa lhe pagasse o que devia.

A questão agora é que a empresa entrou nos Estados Unidos, um mercado maduro e com uma comercialização mais estratégica. E aí, meus amigos, o ‘bixo pegou’…

Reclamações dos proprietários americanos:

  • Baixa tecnologia (sistema de gerenciamento de propriedades da Oyo frequentemente não funciona ou tem pouca funcionalidade)
  • Alterações arbitrárias de contrato.
  • Tarifas muito baixas, chegando a desacelerar o crescimento no médio prazo.
  • Hotéis 2 ou 3 estrelas sendo vendidos como 4.
  • Falta de controle de preços pela unidade. Essa é uma das grandes brigas. Como o hotel não pode alterar e administrar reservas, acontecem overbookings e mau atendimento ao cliente. Só que, se o hotel tiver muitas reclamações, a OYO cobra taxas (palavra bonita para ‘multas’), e eleva a taxação do hoteleiro.

Curiosidade: Um cliente americano, afetado por um desses overbookings ano passado, criou uma página que ganhou repercussão mundial chamada ‘Como OYO arruinou meu aniversário’. Não se brinca mesmo com clientes, principalmente em um mundo online. Assista AQUI.

 

Os problemas da Oyo nos USA são bem similares aos da Índia. Ou seja, vale a pena sim aprender com quem já tem mais experiência com a marca.

Mas o Fundador da OYO, Ritesh Agarwal, tem resposta para tudo. Bem, quando você recebe USD 2,5 Bi de investimento, é o mínimo que deve ter, certo? Se você assistiu a palestra dele na última Phocuswright Conference (vídeo AQUI), em Nov/19, dá para ver claramente que são palavras minuciosamente pensadas para investidores. Provavelmente, na situação dele, eu e você teríamos o mesmo discurso.

Providências que ele diz estar tomando para minimizar a insatisfação dos proprietários:
  • Saída mais flexível do contrato, com período pré determinado na negociação.
  • Conexão com OTAs bem mais interativa.
  • Autorização para o hotel mexer nas suas tarifas 40% para cima ou para baixo, dando mais autonomia para o hoteleiro decidir.
Dicas para Hoteleiros Brasileiros:
  1. Respire! Não feche nada na empolgação e sem falar com pelo menos 3 proprietários que já estão com a marca a pelo menos 6 meses.
  2. Negocie os itens do contrato. Não caia na armadilha de assinar aquelas cláusulas rígidas
  3. Mantenha o controle do seu hotel. Lembre-se que você está ‘terceirizando’ sua estratégia, e ficará sem autonomia da sua comercialização.
  4. O negócio é SEU!
  5. Não existe almoço de graça!

Em resumo, existem proprietários satisfeitos, e outros nem tanto. Assim como alguns hoteleiros acham o sistema de distribuição o máximo, e outros instruem seus recepcionistas a falar para o hóspede cancelar sua reserva no aplicativo e fazer de novo no próprio check-in.

Ou seja, ainda é um negócio em ebulição. Como disse o Paulo Salvador no nosso último vídeo, é legítimo que uma empresa que cresce 1 milhão de quartos em 1 ano (hoje já tem 35 mil hotéis e 1,3 milhões de quartos), sofra as dores do crescimento como eles estão sofrendo hoje. 

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